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FinTechOct 14, 202610 min de leitura

Outsourcing, outstaffing ou time dedicado na Armênia ou na Geórgia: como um fundador do Cazaquistão garante os direitos sobre o código

Propriedade do códigoOutstaffingÁsia Central e CáucasoVerificação do parceiro
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Nos três modelos, os direitos sobre o código que os empregados de uma empresa escrevem ficam com essa empresa até que um contrato os transfira. Veja o que a cláusula de transferência de direitos precisa dizer pela lei do Cazaquistão, da Armênia e da Geórgia, e como verificar os handovers anteriores de uma empresa.

Uma empresa na Armênia ou na Geórgia que constrói a sua plataforma detém os direitos sobre o código que os empregados dela escrevem até que um contrato os transfira para a sua empresa. Isso vale igualmente para outsourcing, outstaffing e time dedicado, porque em cada um deles os engenheiros trabalham para a empresa contratada. Se a sua empresa é dona da plataforma ou não depende da redação da cláusula de transferência de direitos e do momento em que ela passa a valer. Quando uma empresa diz que entrega o código, a melhor forma de verificar é conversar com os engenheiros dos clientes anteriores dela.

A resposta curta: nenhum dos três modelos torna o código seu por si só, então escolha entre eles com base em quem vai dirigir o trabalho dos engenheiros. Depois faça com que o contrato transfira à sua empresa direitos exclusivos para todos os usos de que você precisa, no mundo inteiro e enquanto durarem os direitos autorais, etapa por etapa, à medida que cada etapa for aceita e paga. Mantenha no nome da sua empresa, desde o início, o repositório de código (o espaço online que guarda o seu código e o histórico dele) e as contas de nuvem. Antes de assinar, peça a cada empresa que indique dois clientes anteriores cujos próprios engenheiros assumiram o código dela, e converse com esses engenheiros.

De quem é o código que os engenheiros de uma empresa escrevem?

O Cazaquistão, a Armênia e a Geórgia partem da mesma regra. Os direitos patrimoniais sobre o código que um empregado escreve como parte do trabalho pertencem ao empregador, salvo se o contrato entre eles disser o contrário. Direitos patrimoniais são os direitos de usar uma obra e de autorizar ou proibir que outros a usem. O engenheiro fica com os direitos morais, como o direito de ser reconhecido como autor.

No Cazaquistão, a regra está no artigo 14 da Lei sobre Direito Autoral e Direitos Conexos. A lei armênia de mesmo nome a traz no artigo 33, e a Lei da Geórgia sobre Direito Autoral e Direitos Conexos, no artigo 16. Portanto, os direitos sobre o código escrito pelos empregados de uma empresa pertencem a essa empresa. Eles só passam para a sua empresa quando um contrato assinado os transfere, e só para os usos que esse contrato nomeia.

Alguns engenheiros de um projeto podem ser prestadores de serviço que trabalham para a empresa com contratos próprios. No Cazaquistão e na Armênia, a regra do empregador não vale para eles, então a empresa precisa de um contrato por escrito que transfira os direitos deles para ela.

A regra da Geórgia para trabalho feito sob encomenda é diferente. Os direitos sobre uma obra que uma pessoa física cria sob encomenda pertencem ao cliente que fez a encomenda, neste caso a empresa contratada, salvo se o acordo entre eles disser o contrário (artigos 16 e 43). Esse acordo precisa ser feito por escrito (artigo 42). Como a lei define o autor como pessoa física, não conte com essa regra quando a sua empresa encomendar um trabalho a outra empresa: escreva a transferência no seu contrato.

Outsourcing, outstaffing ou time dedicado: o que muda no contrato?

Os três nomes descrevem quem dirige o trabalho dos engenheiros, e o artigo sobre o Leste Europeu e o Cáucaso, com link acima, explica como escolher com base nisso. No contrato, os modelos diferem em qual repositório guarda o código enquanto o trabalho está em andamento e em quando cada parte do código passa a ser sua.

No outsourcing, em que a empresa entrega a você um resultado combinado, verifique se o contrato só transfere os direitos depois do pagamento final. Se for assim e o projeto parar no meio, você fica sem direitos sobre a metade que foi construída, e outra empresa precisaria da permissão da primeira para continuar o projeto. Peça que os direitos sobre cada etapa aceita passem para você quando essa etapa for paga. Registre cada transferência em um termo de entrega e aceite, um documento que os dois lados assinam e que lista o que a etapa entregou.

Para uma corretora licenciada pela ARDFM, o regulador do mercado financeiro do Cazaquistão, esse termo tem um segundo uso. Como explica o artigo sobre abrir uma corretora, as regras de licenciamento da ARDFM pedem que você apresente, junto com o pedido, o contrato de desenvolvimento do seu software e o termo de entrega dele.

Um time dedicado é pago por mês, o que permite que os direitos passem mês a mês. O código de cada mês passa a ser da sua empresa quando esse mês é pago, e o termo de entrega e aceite mensal indica os repositórios que ele cobre.

No outstaffing, os engenheiros recebem tarefas do seu líder técnico e salvam o trabalho no seu repositório, mas quem os emprega continua sendo a empresa contratada, então os direitos sobre o código que eles escrevem pertencem primeiro a ela. Um contrato de outstaffing que trata só de horas e valores por hora não transfere nada, por isso a cláusula de transferência de direitos é a primeira coisa a procurar nele.

O que a cláusula de transferência de direitos deve dizer?

Este artigo não é assessoria jurídica: peça a um advogado que leia o contrato antes de você assiná-lo.

Um direito exclusivo significa que só o titular dele pode usar o código ou permitir que outros o usem. O Código Civil do Cazaquistão aplica as regras sobre licenças a um contrato que concede a alguém um direito exclusivo por tempo limitado (artigo 965, § 2º). Uma licença é uma permissão para usar o código nas condições dela, enquanto os direitos continuam com a empresa contratada, e, pelo artigo 966, § 2º, uma licença é não exclusiva, salvo se o contrato disser o contrário. Com essa leitura, uma cláusula que transfere os direitos “pelo prazo de vigência deste contrato” pode deixar você com uma licença que termina junto com o contrato.

As leis de direitos autorais dos três países também preenchem as lacunas que um contrato deixa, e as preenchem principalmente a favor de quem detém os direitos. Os direitos são não exclusivos, salvo se o contrato disser o contrário, e os usos que o contrato não menciona ficam com o titular. Se nenhum território for indicado, os direitos valem só no país cuja lei se aplica.

Um contrato que não fixa prazo pode ser encerrado antes do esperado. No Cazaquistão, o autor, isto é, a pessoa que escreveu a obra, pode rescindir um contrato assim depois de um ano da assinatura, com aviso prévio por escrito de três meses. Na Armênia, uma licença sem prazo definido dura cinco anos, e, na Geórgia, o titular pode cancelar uma licença assim depois de três anos, com aviso prévio por escrito de seis meses. As regras estão nos artigos 31 e 32 da lei do Cazaquistão, nos artigos 39 e 40 da lei da Armênia e nos artigos 38 e 40 da lei da Geórgia.

Algumas dessas regras foram escritas para licenças, e a regra de prazo do Cazaquistão, para contratos assinados pelo autor, então a aplicação delas ao seu contrato com uma empresa depende da redação do contrato e da lei que ele indica. Escreva a cláusula de forma que ela funcione mesmo que essas regras se apliquem. Em termos simples, a cláusula deve:

  • transferir à sua empresa os direitos exclusivos por inteiro, o que os advogados chamam de cessão, em vez de licenciá-los
  • nomear os usos: copiar, executar, alterar e adaptar o código, combiná-lo com outro software, publicá-lo, licenciá-lo a terceiros e transferir os direitos de novo, inclusive a um futuro dono da sua empresa
  • valer no mundo inteiro, enquanto durarem os direitos autorais
  • dizer quando o código de cada etapa passa para você, por exemplo, na assinatura do termo de entrega e aceite dessa etapa
  • incluir a promessa da empresa, que os advogados chamam de declaração e garantia, de que os contratos dela com empregados e prestadores de serviço dão a ela todos os direitos que ela transfere a você
  • listar nome por nome os componentes reutilizáveis da própria empresa, isto é, o código que ela escreveu antes do seu projeto e usa com outros clientes, e dar a você uma licença para continuar usando e alterando esses componentes

Sobre as condições dessa última licença, veja o artigo sobre times dedicados, com link abaixo.

Os artigos citados aqui são os que estão em vigor em 13 de outubro de 2026. Em 1º de outubro de 2026, o governo da Armênia aprovou alterações na lei de direitos autorais e no Código Civil do país, que foram registradas no parlamento em 6 de outubro, e partes do artigo 9 da lei de direitos autorais do Cazaquistão mudam em 1º de janeiro de 2027. Peça ao seu advogado que confira o texto em vigor no momento da assinatura.

Como testar o handover antes do último pagamento?

Antes do pagamento final, desligue por alguns dias úteis o acesso da empresa ao seu repositório, às suas contas de nuvem e aos seus servidores. Nesse período, o seu próprio engenheiro, ou um que você contrate para isso, faz o teste de handover descrito no artigo sobre contratar engenheiros ou um parceiro, com link abaixo, sem ajuda da empresa. Tudo o que ele não conseguir fazer sem perguntar à empresa é uma lacuna no handover, e o pagamento final espera até que a empresa feche essa lacuna.

Esse teste se soma ao ensaio que aquele artigo recomenda para o meio do projeto. Ele só funciona se a sua empresa já for a titular dessas contas. Para saber o que abrir no nome da sua empresa desde o primeiro dia, incluindo as contas em corretoras, bolsas e fornecedores de dados de mercado, veja o artigo sobre fundadores de fintech sem CTO, com link acima.

Como verificar uma empresa na Armênia ou na Geórgia que diz que vai “projetar, construir e entregar o código”?

Não importa como você chegou a esses nomes, cada um precisa da mesma verificação, porque um site pode prometer um handover sem mostrar nenhum.

Peça a cada empresa que indique dois clientes anteriores cujos próprios engenheiros hoje cuidam do código que ela escreveu. Converse com esses engenheiros, além do fundador do cliente, e pergunte a eles:

  • quanto tempo levou até o time deles publicar uma mudança sem a ajuda da empresa
  • o que faltou no handover e quem acrescentou o que faltava
  • se a empresa ainda tem algum acesso ao repositório, às contas de nuvem ou aos servidores deles
  • quais componentes reutilizáveis da empresa ainda estão no sistema e em que condições eles os usam

Antes de discutir preço, peça a cláusula padrão de transferência de direitos da empresa e um modelo em branco do termo de entrega e aceite. Se a empresa não conseguir citar um cliente que assumiu o código dela, peça uma descrição por escrito do último handover que ela fez e de como o cliente o testou.

Depois verifique a pessoa jurídica da empresa no registro oficial do país dela. O artigo sobre o Leste Europeu e o Cáucaso mostra como pesquisar nos registros da Armênia e da Geórgia.

Onde a amBrain se encaixa?

A amBrain constrói software desde 2019. Ela descreve em uma linha como trabalha com os clientes: “Três formatos: entrega completa, time dedicado ou engenheiros embarcados no seu time.” Sobre propriedade, a frase dela é: “O cliente mantém a propriedade integral do produto e do código, exceto dos nossos componentes reutilizáveis.” Peça à amBrain a lista desses componentes, nome por nome, como você pediria a qualquer outra empresa.

Para uma plataforma de corretagem, a linha relevante do site da amBrain diz: “Desenvolvimento de terminais de trading, sistemas de gestão de ordens e integração com bolsas via protocolo FIX.” FIX é um padrão de mensagens que, nas palavras da FIX Trading Community, instituições financeiras usam “para comunicar informações de negociação eletronicamente”.

Este artigo não é um estudo de caso. Ele não nomeia outras empresas e não afirma que a amBrain entregou uma plataforma a um cliente no Cazaquistão. Além da frase sobre propriedade, ele não cita nenhuma condição contratual da amBrain e não traz preços nem prazos.

Se a amBrain estiver na sua lista curta, envie a ela os mesmos pedidos de documentos que você enviaria a qualquer outra empresa em avaliação.

Perguntas comuns

  • Precisamos registrar o código em um órgão público para que ele seja nosso? Não. No Cazaquistão, na Armênia e na Geórgia, os direitos autorais surgem quando a obra é criada, sem registro (artigo 9 da lei de direitos autorais de cada país). O que mostra que o código é da sua empresa é o contrato assinado, com os respectivos termos de entrega e aceite
  • Se depois colocarmos a nossa empresa sob uma holding no exterior, o que o contrato deve permitir? A permissão para transferir os direitos de novo. No Cazaquistão e na Armênia, os direitos recebidos por um contrato de autor só podem ser repassados a terceiros se o contrato disser isso expressamente (artigo 32 e artigo 40), e a Geórgia tem a mesma regra para licenças (artigo 40). Seja qual for o nome do seu contrato, inclua nele essa permissão, inclusive para uma transferência a um novo dono da empresa
  • A empresa pode reutilizar o nosso código com outro cliente? Não o código que ela transferiu à sua empresa, se a transferência foi exclusiva. A partir daí, todos os outros precisam da permissão da sua empresa para usar esse código, salvo as exceções que a própria lei estabelece (artigo 964 do Código Civil do Cazaquistão, artigo 39 da lei de direitos autorais da Armênia). A empresa fica só com o que o contrato deixa para ela, como os componentes reutilizáveis listados

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