Um gateway de trading na colocation de uma bolsa precisa de rack, cabos, sessões com a bolsa, relógios precisos e testes. Um data center próximo ou a sua corretora podem bastar.
Colocation em uma bolsa significa alugar espaço no data center onde roda o sistema de negociação da bolsa. O seu gateway de trading, ou seja, o software e os servidores que enviam as suas ordens, fica então a um cabo curto da bolsa. A hospedagem de proximidade (proximity hosting) coloca o gateway em outro data center próximo. Um terceiro caminho é continuar enviando as ordens pela conexão da sua corretora. A estrutura acrescenta um rack, cabos, a conexão com a bolsa, relógios precisos, testes antes de entrar em produção e equipe do data center de plantão. A colocation compensa o custo quando o tempo que uma ordem leva para chegar à bolsa muda os seus resultados de trading.
A resposta curta: a colocation compensa para estratégias que só ganham dinheiro quando as suas ordens chegam primeiro à bolsa. Para estratégias mais lentas e para apps de clientes, um data center próximo ou a conexão da sua corretora exigem menos contratos e menos pessoas. Pergunte a qualquer empresa de engenharia em quais bolsas o software de gateway dela passou nos testes anteriores à entrada em produção e com qual membro da bolsa ela fez esses testes.
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Na colocation, os seus servidores ficam em um rack, um gabinete metálico, dentro do prédio que abriga o matching engine da bolsa. O matching engine é o sistema que casa as ordens de compra e de venda. Esse prédio pode pertencer à bolsa ou a uma empresa de data centers. A página de colocation da Deutsche Börse para o seu mercado à vista Xetra, consultada em 20 de outubro de 2026, aponta o data center FR2 da Equinix, em Frankfurt, como aquele “em que estão localizados os back-ends principais da Eurex e da Xetra”.
Hospedagem de proximidade significa que os seus servidores ficam em outro data center perto da bolsa, ligados a ela por uma linha de rede. As regras de colocation da UE, o Regulamento Delegado (UE) 2017/573 da Comissão, consultado no mesmo dia, também abrangem os “serviços de hospedagem de proximidade detidos e geridos por um terceiro que tenha um acordo contratual com um local de negociação”. Local de negociação é o termo da UE para uma bolsa ou outra plataforma de negociação regulada.
O caminho da corretora não exige servidores próprios perto da bolsa. O seu software envia as ordens à corretora, cujos sistemas as repassam e podem já estar na colocation da bolsa. A corretora detém a conexão com a bolsa e roda as checagens de risco, os limites pelos quais cada ordem precisa passar antes de ser enviada.
A distância acrescenta tempo a cada ordem no caminho até a bolsa e a cada atualização de preço no caminho de volta. A colocation reduz essa distância a um cabo dentro de um único prédio. O ganho importa para estratégias que disputam quem chega primeiro. Market making é um exemplo: uma empresa mantém cotações de compra e de venda no mercado e precisa atualizá-las antes que outros negociem contra os seus preços antigos.
A legislação da UE liga a colocation à negociação de alta frequência. A MiFID II, a diretiva da UE relativa aos mercados de instrumentos financeiros, define uma “técnica de negociação algorítmica de alta frequência” em parte pela infraestrutura, como “colocation, hospedagem de proximidade ou acesso eletrônico direto de alta velocidade”. A definição, consultada no mesmo dia no site da ESMA, a autoridade dos mercados de valores mobiliários da UE, também exige ordens geradas por software e altas taxas de mensagens.
Um data center próximo ou o caminho da corretora podem bastar quando as suas posições duram minutos ou mais, ou quando os clientes enviam ordens manualmente em um app. Cada passo em direção à bolsa acrescenta contratos, equipamentos e equipe, então compare o tempo economizado com o que a sua estratégia lucra com ele.
Levar o servidor para mais perto não resolve o tempo perdido dentro do seu próprio software. O caminho da ordem é o código pelo qual cada ordem passa, e a linguagem de programação dele, seja Rust ou qualquer outra, é uma decisão separada de onde o servidor fica.
O rack vem de quem opera o data center, com uma quantidade definida de energia e refrigeração. A página da Deutsche Börse diz: “A Equinix geralmente fornece todos os serviços de housing, como espaço em rack, refrigeração, fornecimento de energia e smart hands.” Smart hands, também chamadas de remote hands, são funcionários do data center que fazem trabalho físico nos seus equipamentos, como trocar um disco.
A bolsa chega ao seu rack por um cross-connect, um cabo que o data center passa entre o seu rack e os equipamentos da bolsa. A Deutsche Börse entrega “conexões de negociação/compensação e de dados de mercado até o rack do cliente (por meio de cross-connects fornecidos pela Equinix).”
Pelo cross-connect, a bolsa abre sessões para você. Uma sessão de entrada de ordens é a conexão autenticada que o seu gateway usa para enviar, alterar e cancelar ordens. Um feed de dados de mercado traz preços e negócios aos seus servidores.
Uma estrutura completa de colocation costuma ter estas partes:
O espaço em rack pode acabar. Pelas regras de colocation da UE, cada local de negociação que oferece colocation precisa publicar “o procedimento para alocar o espaço de colocation”.
Só os membros, também chamados de participantes, se conectam a uma bolsa em nome próprio. Na UE, a MiFID II permite que mercados regulamentados, um dos tipos jurídicos de bolsa, admitam empresas de investimento, bancos e outras pessoas que cumpram certas condições, entre elas “um nível suficiente de capacidade de negociação, competência e experiência”. Ser membro também significa seguir o regulamento da bolsa e definir como as suas operações são liquidadas.
Sem ser membro, você pode enviar ordens com o código de negociação de uma empresa membro, se ela permitir; esse código é o identificador do membro na bolsa. A MiFID II chama isso de acesso eletrônico direto. Se as suas ordens passam pelos sistemas do próprio membro, a diretiva chama isso de “acesso direto ao mercado”. Quando a infraestrutura do membro não é usada, chama de “acesso patrocinado”, e o seu próprio gateway pode falar diretamente com a bolsa.
A MiFID II exige que um mercado regulamentado que permita qualquer um dos dois tipos de acesso garanta que “o membro ou participante continue responsável pelas ordens e negócios executados por meio desse serviço”. Nos EUA, a Regra 15c3-5 da SEC obriga a corretora que dá a um cliente acesso a uma bolsa a manter controles de risco.
Os seus sistemas registram o horário de cada ordem e de cada negócio. O Regulamento Delegado (UE) 2025/1155 da Comissão, consultado no mesmo dia, exige que as bolsas e os seus membros sincronizem os relógios com o UTC, o Tempo Universal Coordenado, a hora de referência mundial. As regras de relógio desse regulamento se aplicam desde 2 de março de 2026, quando substituíram o Regulamento Delegado (UE) 2017/574.
Pelo Regulamento Delegado (UE) 2025/1155, a precisão exigida dos relógios depende do tipo de negociação. Para a atividade que usa uma técnica de negociação algorítmica de alta frequência, a tabela do regulamento permite uma divergência máxima em relação ao UTC de “100 microssegundos”, com timestamps registrados com granularidade de um décimo de microssegundo ou mais fina. Um microssegundo é um milionésimo de segundo. Quando uma pessoa fecha cada negócio, como na negociação por voz ou em operações negociadas, a tabela permite um segundo. Para outros tipos de negociação, pergunte à bolsa que precisão ela espera dos membros.
Os membros também precisam comprovar a precisão dos relógios. O artigo 16 do Regulamento Delegado (UE) 2025/1155 exige “um sistema de rastreabilidade em relação ao UTC” e uma revisão do seu cumprimento “pelo menos uma vez por ano”. A tabela de preços de colocation na página da Deutsche Börse inclui um adicional da Deutsche Börse chamado “Time Service (PTP)” e o “Roof space for GPS Antenna” da Equinix, um espaço no telhado para uma antena de GPS. O PTP, Precision Time Protocol, transmite a hora exata pela rede.
O Regulamento Delegado (UE) 2017/584 da Comissão, consultado no mesmo dia, diz que os locais de negociação “devem exigir que os seus membros realizem testes de conformidade”. Os testes acontecem antes de um membro usar pela primeira vez o seu acesso ou sistema de negociação e antes de qualquer atualização substancial deles. O teste de conformidade verifica se o seu software funciona dentro das regras técnicas da bolsa.
O artigo 9 do Regulamento Delegado (UE) 2017/584 diz que os testes devem verificar “o envio, a alteração ou o cancelamento de uma ordem” e “a conectividade, incluindo o comando de cancelamento em caso de desconexão, a perda do feed de dados de mercado e os limitadores de mensagens”. Cancelamento em caso de desconexão (cancel on disconnect) significa que a bolsa cancela as suas ordens abertas quando a sua sessão cai. Um limitador de mensagens (throttle) é um limite de quantas mensagens você pode enviar em um dado intervalo de tempo.
O guia MIT501 Guide to Testing Services da London Stock Exchange, edição 22, de 3 de fevereiro de 2025, consultado no mesmo dia, diz: “Antes de se conectar ao serviço em produção (Live Service), os clientes precisam certificar que os seus aplicativos de software estão plenamente em conformidade com as Millennium Technical Specifications da London Stock Exchange.” Os clientes precisam certificar de novo depois de alterar o software “de qualquer forma que afete diretamente uma interface da London Stock Exchange”.
Na London Stock Exchange, os testes de conformidade da aplicação cobrem a forma como o software conversa com a bolsa. Testar a estratégia continua sendo tarefa da empresa de trading: o guia MIT501 da bolsa diz que ela “não realizará testes de conformidade de algoritmos de clientes” e exige que as empresas autocertifiquem que os seus algoritmos foram testados.
O artigo 9 do Regulamento Delegado (UE) 2017/584 diz que o local de negociação entrega o relatório do teste de conformidade “somente ao membro atual ou potencial.” Quando um gateway foi testado pelo acesso de uma empresa membro, a empresa de engenharia que o construiu pode indicar esse membro a você, e o membro decide o que compartilhar.
Mesmo em uma única bolsa, o trabalho se divide entre empresas. Pela página da Deutsche Börse, “os contratos de housing são celebrados entre a Equinix e o respectivo cliente”, e o grupo da bolsa “não participa da relação contratual entre os seus membros e a Equinix.” As linhas até outros sites costumam vir de operadoras de rede, com contratos separados.
A sua empresa membro ou corretora concede o acesso e responde pelos controles de risco. Um membro de compensação, a empresa que compensa as suas operações pela câmara de compensação da bolsa, pode ser a mesma empresa ou outra. O gateway e os testes dele podem vir de uma empresa de software, enquanto a sua própria equipe ou um prestador de serviços de operação acompanha o sistema a cada dia de negociação. Registre por escrito quem é responsável por cada parte antes de assinar.
Faça estas perguntas a cada parte:
Boas respostas citam a bolsa, a empresa membro e as partes da estrutura de que o time cuidou. Quando um acordo de confidencialidade impede citar nomes, peça à empresa que organize uma ligação de referência com o membro.
Servidores, switches de rede, instalação e o software do gateway com os testes costumam ser pagos uma única vez, junto com a taxa de adesão que a bolsa cobrar, se houver. A conta mensal cobre o aluguel do rack e a energia, cada cross-connect, as linhas das operadoras, as taxas de conexão da bolsa, os dados de mercado e a equipe que acompanha o sistema.
As regras de colocation da UE exigem que cada local de negociação que oferece colocation publique “a estrutura de taxas de cada serviço” e ofereça os serviços individualmente, “sem qualquer obrigação de adquirir serviços agrupados”.
A tabela de preços de colocation na página da Deutsche Börse mostra um “Cross-connect” da Equinix a 150 euros por mês. As taxas da Equinix nessa tabela trazem a nota “em janeiro de 2023”, e a página diz que os preços valem apenas para salas específicas do data center FR2. As taxas mudam, então peça a cada parte a tabela atual antes de montar um orçamento.
A amBrain constrói infraestrutura de trading algorítmico: execução de ordens, dados de mercado e controles de risco pré-negociação. Uma linha do site da amBrain diz: “Desenvolvimento de terminais de trading, sistemas de gestão de ordens e integração com bolsas via protocolo FIX.”
Entre as frases que a amBrain publica sobre si mesma está esta: “Uma mini-exchange que roda em produção na colocation da MOEX.” A frase não descreve a conexão com a bolsa, a rede, o data center, os protocolos nem os testes desse sistema, nem quem providenciou a colocation.
A amBrain constrói software desde 2019. Ela trabalha em três formatos: entrega completa, time dedicado ou engenheiros embarcados no seu time. A frase dela sobre propriedade é: “O cliente mantém a propriedade integral do produto e do código, exceto dos nossos componentes reutilizáveis.” Se a amBrain estiver na sua lista curta, faça a ela as mesmas perguntas que a qualquer outra empresa.
Este artigo não é um estudo de caso e não descreve nenhum trabalho para clientes. Ele não diz que a amBrain montou colocation ou um gateway de trading para um cliente. Também não diz que a amBrain é ou foi membro de uma bolsa, nem que tem alguma certificação de bolsa ou algum resultado de teste de conformidade.
A Deutsche Börse, a London Stock Exchange e a Equinix aparecem como exemplos tirados das próprias páginas da Deutsche Börse e da bolsa. O artigo não afirma nenhuma relação entre a amBrain e qualquer uma delas ou qualquer provedor de rede. Ele não traz preços nem prazos da amBrain e não é aconselhamento jurídico: as regras variam por país e por bolsa, então confirme-as com a bolsa e, quando necessário, com um advogado.
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